Como me preparar para a primeira sessão de terapia?
Você não precisa chegar com tudo organizado. A primeira sessão não é uma prova, nem exige que você saiba explicar exatamente o que está acontecendo. Pode ser suficiente começar dizendo: “Eu não sei bem por onde começar, mas alguma coisa não está bem”.
Antes do encontro, talvez ajude a pensar no que fez você procurar terapia agora. Há quanto tempo percebe essa dificuldade? Em quais situações ela aparece?
Como costuma ser a primeira sessão?
A primeira sessão costuma ser uma conversa para que a psicóloga conheça você e compreenda o que motivou a procura por terapia. Você pode falar sobre o que está acontecendo neste momento, há quanto tempo percebe essa dificuldade e de que maneira ela tem afetado sua vida.
Não é necessário contar toda a sua história nesse primeiro encontro. Outros assuntos podem aparecer aos poucos, conforme a conversa avança e você se sente mais à vontade.
Esse também é um momento para conversar sobre o que você espera da terapia e esclarecer como funcionarão os atendimentos. Frequência, duração das sessões, valores, faltas e remarcações são alguns dos combinados que podem ser apresentados nessa conversa.
O que você pode levar anotado?
Não é necessário levar anotações. Mas, se você costuma esquecer o que gostaria de falar ou sente dificuldade para organizar as ideias em situações novas, anotar algumas coisas pode ajudar.
Pode ser uma situação recente que trouxe sofrimento, algo que tem se repetido ou alguma mudança que você percebeu no sono, na disposição, na concentração, nos relacionamentos ou na rotina.
Situações concretas costumam ser um bom ponto de partida. Por exemplo:
“Há cerca de dois meses tenho acordado cansada. À noite, fico pensando nas mesmas preocupações e, durante o dia, tenho evitado conversar com meu companheiro.”
Você não precisa transformar essas anotações em um relato organizado. Elas podem servir apenas como apoio para começar a conversa.
O que você não precisa fazer?
Você não precisa:
- ter um diagnóstico;
- saber exatamente “qual é o problema”;
- encontrar as palavras certas;
- contar algo sobre o qual ainda não se sente à vontade para falar;
- esconder o choro, a vergonha ou o nervosismo;
- chegar com uma meta definida para a terapia.
Também não é necessário decidir tudo antes da primeira sessão. Algumas questões podem ser conversadas com a psicóloga ao longo dos encontros.
E se você não souber o que dizer?
Às vezes, a dificuldade não é apenas saber por onde começar. Você pode se sentir confuso, ficar em silêncio, chorar ou perceber que determinado assunto ainda é difícil de colocar em palavras.
Nesses momentos, você pode começar justamente pelo que está acontecendo:
- “Eu não sei explicar direito, mas tenho me sentido assim…”
- “O que mais me preocupa neste momento é…”
- “Travei.”
- “Estou com vergonha de falar disso.”
- “Meu peito aperta quando tento falar sobre isso.”
Quando parece difícil contar a história toda, falar de uma situação recente ou do que você percebe no corpo pode ser um ponto de partida.
Chorar, ficar em silêncio ou não saber explicar exatamente o que sente também pode fazer parte da primeira sessão. Não existe uma reação correta.
E, se algum assunto parecer difícil demais para ser abordado naquele momento, você pode dizer isso. A terapia não exige que você conte tudo de uma vez.
Perguntas que você pode fazer
A primeira sessão também é uma oportunidade para conhecer a profissional e entender melhor como ela trabalha. Se tiver dúvidas, você pode perguntar, por exemplo:
- Como você costuma conduzir a terapia?
- Com que frequência os encontros acontecem?
- Quanto tempo dura cada sessão?
- Como funciona o sigilo profissional?
- Como funcionam faltas e remarcações?
- O que posso fazer se tiver dúvidas sobre o processo ao longo da terapia?
Fazer perguntas não significa desconfiar da profissional. Entender como o trabalho funciona também ajuda você a perceber se aquele espaço faz sentido para você.
O sigilo profissional é um dos princípios que orientam o trabalho da psicóloga e protege a intimidade da pessoa atendida. Existem situações específicas previstas pelas normas profissionais em que essas informações podem ser compartilhadas dentro de determinados limites.
E se a primeira sessão for online?
Se o atendimento for online, procure um lugar em que você possa conversar com privacidade e sem muitas interrupções. Antes da sessão, também pode ser útil verificar a conexão, o dispositivo que será utilizado e se você consegue ouvir e falar com tranquilidade.
Se você ainda tem dúvidas sobre esse formato, explico com mais detalhes no artigo “Terapia online funciona mesmo?”.
E o que acontece depois da primeira sessão?
Ao final do primeiro encontro, vocês podem conversar sobre a continuidade dos atendimentos e sobre o que apareceu de mais importante naquela conversa.
Não existe uma maneira certa de sair da primeira sessão. Algumas pessoas sentem alívio por finalmente terem falado sobre algo que vinha sendo difícil; outras saem emocionadas, pensativas ou ainda com dúvidas.
A primeira sessão não precisa produzir respostas imediatas. Algumas questões começam a ser compreendidas ao longo dos encontros.
Para pensar e refletir
Preciso saber exatamente o que falar na primeira sessão?
Não. Você pode começar contando o que fez você procurar terapia neste momento, mesmo que ainda não consiga organizar ou explicar tudo com clareza. A própria dificuldade de colocar em palavras o que está acontecendo pode fazer parte da conversa.
E se eu ficar em silêncio ou não conseguir falar?
Isso pode acontecer. Você pode dizer que travou, que está com vergonha ou que não sabe como começar. Não é necessário preencher todos os silêncios nem contar tudo no primeiro encontro.
Posso chorar durante a primeira sessão?
Sim. Chorar é uma reação possível durante a sessão e não é necessário pedir desculpas ou tentar controlar o choro para continuar o atendimento.
Preciso contar coisas que ainda não quero contar?
Não. Você pode dizer que determinado assunto ainda é difícil de abordar. A psicoterapia não exige que toda a sua história seja contada de uma vez.
A primeira sessão não exige que você esteja pronta, calma ou organizada. Você pode chegar com dúvidas, vergonha, silêncio ou uma história difícil de contar. O trabalho pode começar justamente a partir do que você consegue trazer naquele momento, mesmo que seja apenas: “Eu preciso de ajuda, mas não sei como explicar”.
Atendo adultos e idosos, presencialmente em Rio Claro (SP) e também online. A forma de atendimento, a frequência e os demais combinados são conversados no primeiro contato.
Atualizado em outubro de 2026.
